• Bruno Kolokovski

A NEUROCIÊNCIA EM FAVOR DA CULTURA ORGANIZACIONAL

Atualizado: Fev 24

Quando falamos em Cultura Organizacional, nos referimos ao conjunto de hábitos, crenças, valores e normas que guiam os comportamentos de todos os colaboradores de uma organização. Ela é o reflexo da ética e da moral que a organização possui, e é a chave fundamental para que os colaboradores estejam motivados, engajados e alinhados à estratégia do negócio.


Para que isso ocorra, os líderes devem criar um ambiente que proporcione, dentre outros fatores, segurança, confiança e um sentimento de pertencimento entre os colaboradores e a organização. Por mais simples que isso pareça, a garantia desses fatores é muito mais complexa, e envolve uma colaboração sistêmica de todos os agentes que compõem a organização.


Criando um espaço seguro e de confiança

Quando uma pessoa se encontra em um ambiente seguro, ela pode relaxar e entrar em um estado mental que favorece a inovação, criatividade, a ambição e o engajamento social. Tudo isso ocorre graças a uma região em nosso cérebro chamada amígdala.


Quando nos sentimos ameaçados, reduzimos nossa atividade cerebral no sistema límbico, responsável pela codificação e interpretação das emoções, e reduzimos à função executiva do córtex pré-frontal, inibindo algumas atividades racionais como a criatividade e a busca pela excelência. Com isso, concentramos a atividade cerebral em uma região conhecida como sistema reptiliano ou cérebro basal. Essa região tem como característica a garantia da sobrevivência do indivíduo, além de ser responsável pela regulação das funções e sensações primárias como fome, sede, sono, entre outras.


A amígdala quando percebe essas emoções de ameaças, libera determinados hormônios em nossa corrente sanguínea, nos colocando em um estado de alerta, que resultará em um comportamento de luta, fuga ou congelamento. Contudo, podemos treinar nosso corpo para relaxar em vez de ficar na defensiva em momentos de estresse elevado.


Destarte, garantir que as pessoas estejam se sentindo seguras e confiantes no ambiente em que se encontram, é fundamental para que tenham uma boa performance e fortaleçam os sentimentos de empatia e engajamento social. Em um ambiente seguro, as equipes passam a ser mais produtivas e proativas, oferecem melhor atendimento ao cliente e mostram níveis mais altos de satisfação no trabalho e comprometimento com os outros membros da equipe e da organização.


Criando um sentimento de conexão e pertencimento


A raça humana sempre viveu em sociedade. Precisamos uns dos outros para satisfazer necessidades pessoais. A vida em grupo em um aspecto evolucionário, por exemplo, aumentou as chances de sobrevivência do homem em um mundo cercado de predadores.

Além disso, o senso de conexão e pertencimento podem afetar a produtividade e o bem-estar emocional. Segundo pesquisas divulgadas na revista Exame, as emoções no ambiente de trabalho são contagiosas. As pessoas podem se sentir emocionalmente esgotadas e influenciadas a uma má performance apenas por assistir às interações desagradáveis entre colegas de trabalho.


Se estamos inseridos em um ambiente ao qual não nos sentimos seguros, automaticamente não estabeleceremos um sentimento de conexão e pertencimento com os demais membros do grupo. Dessa forma, a qualidade de nosso trabalho fica comprometida.


Segundo a neurociência, quando nos sentimos seguros registramos essa sensação no cérebro reptiliano. Mas além disso, precisamos também nos sentir cuidados. Esse sentimento de apego e zelo ativa nosso cérebro límbico, responsável pela interpretação e codificação de nossas emoções. Com isso, córtex pré-frontal de funcionamento superior é estimulado, e nossa capacidade de raciocínio lógico, inovação, criatividade e conexão social é ativada.


Algumas simples ações podem promover esse sentimento de pertencimento, como por exemplo sorrir para as pessoas, chamá-las e reconhecê-las pelo nome, lembrar-se de seus interesses e detalhes pessoais, dentre outras ações que tenham uma carga emocional significativa. Usar uma música, lema, símbolo, canto ou ritual que identifique sua equipe de maneira única também pode fortalecer esse senso de conexão.


Se você quer inspirar o melhor de sua equipe, defenda-os, apoie-os e crie um espaço de confiança e mutualidade. Em um ambiente de segurança e respeito, as pessoas se sentirão respeitadas, acolhidas e valorizadas, e reverterão esses sentimentos em performance e desenvolvimento organizacional.


Bruno Kolokovski

Desenvolvimento de Talentos

INSTITUTO MAURINO VEIGA


FONTES:

COSENZA, Ramon M. Neuroanatomia funcional básica para o neuropsicólogo. In: FUENTES, Daniel et al. Neuropsicologia: teoria e pratica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. p. 29-46.

EXAME. Gerenciamento das emoções no local de trabalho. Disponível em: https://exame.com/negocios/gerenciamento-emocoes-local-trabalho-594153/. Acesso em: 13 dez. 2020.

What is organizational culture? And why should we care? S. l.: Harvard Business Review, 15 maio 2013. Disponível em: https://hbr.org/2013/05/what-is-organizational-culture. Acesso em: 11 dez. 2020.

The most important leadership competencies, according to leaders around the world. S. l.: Harvard Business Review, 15 maio 2016. Disponível em: https://hbr.org/2016/03/the-most-important-leadership-competencies-according-to-leaders-around-the-world. Acesso em: 11 dez. 2020.